Guia de Profissões  

Ciências Biológicas

Desde que os cientistas aprenderam a ler os códigos do DNA – ácido desoxirribonucléico – a vida mudou para todos os organismos. Por meio da manipulação de genes, clonam-se animais, criam-se plantas e grãos mais resistentes a pragas e pesticidas e parece que a cura de doenças como o câncer está mais próxima. Biólogos brasileiros que participam, com outros cientistas de 250 laboratórios, do Projeto Genoma – para o mapeamento de todos os genes da espécie humana até 2025 – atestam o grau de desenvolvimento que essa ciência atingiu no Brasil. É verdade, nem todos os biólogos integrarão projetos de ponta como o Genoma. A maioria hoje trabalha no magistério. Mas os especialistas estão otimistas quanto ao futuro da profissão.

“Há um grande número de profissionais concentrado nas grandes cidades. O mercado, porém, vem se expandindo principalmente nas áreas ambientais e de biotecnologia”, diz o diretor do Conselho Regional de Biologia do Estado de Minas Gerais, Paulo Emílio Guimarães Filho. De fato, o aumento da inseminação artificial, de soluções para doenças genéticas e dos avanços na área de transplante de órgãos – que incluem a obtenção de tecidos para transplante a partir de multiplicação celular – indicam que a biotecnologia é o campo com melhor perspectiva de atuação. O biólogo com essa formação tem emprego na indústria farmacêutica, em centros de pesquisa e em hospitais.

A área ambiental, também apontada por Guimarães como promissora, vem necessitando cada vez mais de profissionais, graças à preocupação mundial com a preservação do meio ambiente. Alguns produtos exportados para a Europa precisam do certificado de qualidade total em preservação ambiental. No Brasil, a lei exige a elaboração de relatórios de impacto ambiental, por exemplo, para a construção de hidrovias ou para a exploração de minas. Aí entra o trabalho de assessoria ou gerenciamento de projetos, que pode ser feito pelo biólogo especializado em ecologia. Muitas vezes, esse profissional prefere atuar abrindo uma empresa de consultoria ambiental, em falta no país, principalmente nas Regiões Norte e Centro-Oeste.

Alinhadas com biotecnologia e ecologia, estão as tradicionais áreas de estudo dos biólogos: identificação de fósseis animais e vegetais (paleontologia), investigação do funcionamento das células (citologia), estudo de parasitas (parasitologia), das propriedades físicas dos seres (biofísica), da organização dos animais (zoologia) e da flora (botânica). As reações químicas dos seres vivos formam o campo de estudo da bioquímica, enquanto a microbiologia e a imunologia se ocupam dos processos internos de defesa e dos efeitos dos microorganismos. Dentro dessas áreas, há um vasto campo de atuação. O biólogo pode trabalhar em laboratórios de análises clínicas, na indústria (alimentícia, de fertilizantes e de extração de vegetal, entre outras), em jardins botânicos, reservas ambientais, estações de tratamento de água e esgoto, entidades de reflorestamento e ONGs. A maioria, no entanto, vai para a área educacional, lecionando no ensino médio e fundamental ou atuando em pesquisa.


Além de biologia, biofísica, matemática, química, zoologia, botânica, há também informática e estatística. A opção entre licenciatura – que habilita para o ensino médio e fundamental – e bacharelado é feita no quarto ano, no caso da faculdade oferecer as duas habilitações. Os salários iniciais ficam entre seis e oito salários mínimos.

Duração média do curso: quatro anos

 

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